Você já parou para ouvir o ruído que habita o silêncio da sua mente logo ao acordar? Antes mesmo do primeiro gole de café, uma lista invisível começa a ser recitada: “tenho que ser produtivo”, “tenho que estar atualizado”, “tenho que ser a mãe/pai perfeito”, “tenho que demonstrar felicidade nas redes sociais”.
Estamos vivendo o que eu chamo de uma histeria coletiva de “tem quês”.
O Desejo que Silencia
Na psicanálise, entendemos que o excesso de exigências externas funciona como uma mordaça para o desejo autêntico. Quando a nossa bússola passa a ser ditada apenas pelo que o outro espera de nós — ou pelo que a sociedade convencionou como “sucesso” — entramos em um processo de apagamento subjetivo. O resultado? Um esgotamento que vai muito além do físico. É o cansaço de não ser quem se é.
O Cérebro sob Pressão
A neurociência nos mostra que viver sob a égide do “tem que” coloca o nosso cérebro em um estado de alerta constante. O cortisol elevado e a ativação incessante da amígdala nos mantêm em modo de sobrevivência. Nesse estado, a criatividade morre e a capacidade de sentir prazer nas pequenas conquistas se esvai.
O Caminho da Autonomia
Romper com essa ditadura não é sobre fazer menos, mas sobre fazer com sentido. É resgatar a capacidade de dizer “não” às expectativas alheias para, finalmente, dizer “sim” à própria vida.
A liberdade não é fazer o que se quer, mas descobrir quem se é para além das obrigações impostas.
